domingo, 19 de junho de 2016

Sobre a repressão infantil

Como a criança que existe dentro de si foi reprimida, você vai reprimir os seus filhos. Ninguém deixa os filhos dançar, cantar, gritar, pular. Por razões triviais: podem partir qualquer coisa, podem ficar com a roupa molhada se andarem a correr, e por causa destas pequenas coisas destrói-se completamente uma grande quantidade espiritual, a vontade de brincar.

A criança obediente é elogiada pelos pais, pelos professores, por toda a gente; a criança brincalhona é condenada. A sua vontade de brincar pode ser absolutamente inofensiva, mas ela é condenada porque existe nela um perigo potencial de rebeldia. Se a criança continuar a crescer com total liberdade para ser brincalhona, acabará por se converter num rebelde. Não será facilmente escravizada; não será facilmente alistada em exércitos para destruir pessoas ou para ser destruída.

A criança rebelde acabará por ser um jovem rebelde. Sendo assim, ninguém o poderá forçar a casar; ninguém o poderá forçar a ir para um determinado emprego; sendo assim, a criança não pode ser forçado a realizar os desejos e anseios que os pais não realizaram. O jovem rebelde seguirá o seu próprio caminho. Viverá a sua vida de acordo com os seus próprios desejos mais profundos, e não de acordo com os ideais de outra pessoa qualquer.

O rebelde é basicamente natural. A criança obediente está quase morta, e, portanto, os pais estão muito felizes, porque ela está sempre sob controlo.

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por encontrar um terreno fértil."-
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"Acredito que o maior presente que alguém me pode dar é ver-me, ouvir-me, compreender-me e tocar-me. O maior presente que eu posso dar é ver, ouvir, entender e tocar o outro. Quando isso acontece, sinto que fizemos contato" — Virginia Satir

"A mente inocente é aquela que não pode ser ferida. Uma mente sem marcas de ferimentos recebidos — eis a verdadeira inocência; temos cicatrizes no cérebro e, com elas, queremos descobrir um estado mental sem ferimento algum. A mente inocente não pode ferir-se (isto é, sofrer ofensa), porque nunca transporta um ferimento de dia para dia. Não há, pois, nem perdão, nem lembrança.[...] A mente em conflito não tem nenhuma possibilidade de compreender a Verdade" — Krishnamurti