Idealização


Idealização purpurina

Adultos que não tiveram a capacidade de mergulhar num minucioso e destemido inventário quanto a realidade do ambiente emocional de sua infância, tendem a idealizar um modo de proporcionar a seus filhos uma educação completamente diferente daquela recebida por seus pais. De modo inconsciente, repetem o velho padrão de criar sobre si mesmos desmedidas expectativas, pois, sem a capacidade de observar e aceitar a realidade de seu destino, por mais que se esforcem, tendem a reproduzir o ambiente transgeracional de adulteração psíquica. A negação da realidade da infância e a idealização de ser um pai melhor é a perpetuação do "pecado original", transmitido de geração em geração. Como no dito popular, "o inferno está repleto de seres de boas intenções". Na maioria dos casos, o que se percebe, é que quando negamos nossa história e nos idealizamos como pais diferenciados dos nossos, por não termos trabalhado nossas profundas feridas emocionais da infância, transferimos para os nossos filhos a indevida responsabilidade de suprir nossas expectativas emocionais que cabiam aos nossos pais. Sem perceber, ao agir deste modo, transmitimos aos nossos filhos, a mesma dor do "incesto emocional", transmitido de geração em geração.
Esse ciclo nefasto do processo formador de Adultos Adulterados Adulterantes, de modo algum poderá ser quebrado através da "idealização purpurina", mas sim através de pais holisticamente integrados, por meio de um profundo e sério trabalho de base, ou seja, livres e capazes de manifestar a tão negligenciada arte de cuidar do ser.

Outsider

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por encontrar um terreno fértil."-
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"A aventura é, sempre e em todos os lugares, uma passagem pelo véu que separa o conhecido do desconhecido; as forças que vigiam no limiar são perigosas e lidar com elas envolve riscos; e, no entanto, todos os que tenham competência e coragem verão o perigo desaparecer." — Joseph Campbell em, O Herói de Mil Faces

"Acredito que o maior presente que alguém me pode dar é ver-me, ouvir-me, compreender-me e tocar-me. O maior presente que eu posso dar é ver, ouvir, entender e tocar o outro. Quando isso acontece, sinto que fizemos contato" — Virginia Satir

"A mente inocente é aquela que não pode ser ferida. Uma mente sem marcas de ferimentos recebidos — eis a verdadeira inocência; temos cicatrizes no cérebro e, com elas, queremos descobrir um estado mental sem ferimento algum. A mente inocente não pode ferir-se (isto é, sofrer ofensa), porque nunca transporta um ferimento de dia para dia. Não há, pois, nem perdão, nem lembrança.[...] A mente em conflito não tem nenhuma possibilidade de compreender a Verdade" — Krishnamurti